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Parque Cidades do Tejo: a nova metrópole na Área Metropolitana de Lisboa

Vista de zona ribeirinha com passeio, ciclovia, elétrico, pessoas e a ponte 25 de Abril ao fundo, Lisboa.

O Governo trouxe a público o projeto Parque Cidades do Tejo, uma intervenção urbanística e de infraestruturas pensada para desenhar uma nova «metrópole» na Área Metropolitana de Lisboa (AML). O maior impacto está concentrado nos concelhos de Almada, Seixal e Barreiro.

A ideia é reposicionar as duas margens do Tejo com base nas novas travessias e num conjunto de investimentos estruturantes. Segundo o Governo, a ambição passa por “transformar terrenos subaproveitados nas duas margens do Tejo em novos polos urbanos, económicos, habitacionais e de mobilidade”.

A proposta assenta numa ideia central: o Tejo como elo de ligação e não como barreira. Para isso, está previsto um investimento em larga escala distribuído por quatro eixos estratégicos:

  1. Arco Ribeirinho Sul (Almada, Seixal e Barreiro);
  2. Ocean Campus (Oeiras e Lisboa);
  3. Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa e Loures);
  4. Cidade Aeroportuária (Benavente e Montijo).

O plano foi apresentado aos 18 presidentes de Câmara da AML e ao presidente da Câmara de Benavente, numa reunião presidida pelo Primeiro-Ministro Luís Montenegro e com a presença dos ministros das Finanças, da Coesão Territorial e das Infraestruturas e Habitação.

Margem sul no epicentro do projeto

A Margem Sul ocupa um lugar determinante no projeto. Só aqui estão previstas mais de 28 mil novas habitações (8 mil conforme PDM (Plano Diretor Municipal) e 20 mil em projeção futura), 2,3 milhões de m² para atividades económicas e 94 mil postos de trabalho. Eis o que está previsto para cada zona:

  • Almada (Lisnave): habitação, comércio, cultura (inclui a futura Ópera Tejo);
  • Barreiro (ex-Quimiparque): turismo, habitação, centro de congressos, cluster de atividades económicas (indústria naval);
  • Seixal (ex-Siderurgia Nacional): parque empresarial ecológico, atividade de recreio e lazer, entre outros.

No total, este projeto corresponde a mais de 4 500 hectares de intervenção - 55 vezes a Parque Expo -, prevendo-se a construção de 25 mil novas habitações e mais de 200 mil postos de trabalho projetados. O objetivo assumido é dar resposta à pressão habitacional, promover emprego qualificado e reforçar a rede de transportes públicos.

Infraestruturas e mobilidade

A componente infraestrutural é um dos pilares do projeto. Estão previstas duas novas travessias do Tejo: a Terceira Travessia (TTT) entre Chelas e Barreiro e um túnel subfluvial entre Algés e Trafaria. A estes somam-se:

  • Expansão do Metro de Lisboa: +30 km de linhas, +35 estações (investimento de 1,524 milhões de euros);
  • Extensão do Metro Sul do Tejo: +50 km de linhas (investimento de 350 milhões de euros lado Poente);
  • LIOS (Linha Intermodal Sustentável): +24 km de linhas, +37 estações (investimento de cerca de 490 milhões de euros);
  • SATUO: 9 km de linhas, +14 estações (investimento de 112 milhões de euros);
  • Linha de Alta Velocidade Lisboa-Madrid (fase Lisboa > Évora): investimento de 2,8 milhões de euros.

A meta é fazer subir a quota modal do transporte público dos atuais 24% para 35%, com 3,8 mil milhões de euros adicionais de investimento em transportes e 328 milhões de euros anuais de apoio à política tarifária.

Um dos principais motores desta transformação é o Novo Aeroporto. Com mais de 3000 hectares entre Benavente e Montijo, a futura Cidade Aeroportuária será ligada à capital por ferrovia de alta velocidade e pelas principais rodovias. Recordamos que o novo aeroporto terá uma capacidade superior a cem milhões de passageiros/ano quando estiver a funcionar em pleno.

Para acompanhar e coordenar todo este processo será criada a Sociedade Parque Cidades do Tejo, S.A., uma empresa 100% pública com uma dotação inicial de 26,5 milhões de euros. A gestão será partilhada entre o Estado Central e os Municípios diretamente envolvidos.

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